2 de fev. de 2009

Árvore Genealógica

É com muito carinho que publico mais uma obra do senhor Geraldo Alves Martins. Com muito cuidado e dedicação a família está em grande parte representada em cada uma dessas folhas. Um trabalho bem elaborado que garante a manutenção da história familiar. Acredito que muitos de nós gostaríamos de ter uma árvore de família, então aí está a prova de que é possível, basta dedicação e muito estudo. Parabéns senho Geraldo.

Geraldo Alves agredece a Nevolanda Pinheiro pela imprescindível colaboração nesta obra.

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8 de ago. de 2008

Capa

Publicação

Frente
GERALDO ALVES MARTINS



DO ÉTER TANGÍVEL
AO IMPONDERÁVEL



Compilação do livro
"A Vida de Einstein"

Título Original
"Albert Einstein - Maker of Universes
"

por H. Gordon Garbedian




Feira de Santana
1999


Verso


COLEÇÃO DO AUTOR

ARTE & IMPRESSÃO
EDSON MACHADO

CAPA DE
MARISTELA RIBEIRO

Parte 01

"Se a minha teoria da relatividade obtiver êxito a Alemanha quererá que seu seja alemão, e a França irá declarar que eu sou um cidadão do mundo. Fracasse a minha teoria, a França dirá qeu sou alemão e a Alemanha que sou judeu."

Em 1887 os cientistas Michelson e Morley fizeram vibrar o mundo científico a proporcionar uma corrida inusitada, chamada na época de páreo luminoso.

Os dois cientistas iriam fazer a corrida de dois raios de luz para desv endar os segredos das estrelas e medir a velocidade da Terra. Copérnico, fundador da mecânica celeste, demonstrou que o sol é o centro do sistema e a Terra com seus irmãos planetários giram em torno dele.

Newton, o grande cientísta inglês, chegou a pensar que nos espaços celestiais poderiam encontra um corpo em absoluto repouso. Difícil em razão do mover-se constante da matéria universal. Encontrou então uma resposta cabível a hipótese menos remota que as estrelas fixas. Um meio dominante que penetrava por toda parte era o Éter, o padrão de repouso absoluto e inalterável. Sem o éter, a luz e calor não seria possível a transmissão até nós. Sem a claridade das estrelas a Terra seria sem forma e vazia, não havendo vida. Graças ao éter a Terra se move; as estrelas cintilam. Sua luz chega até nós numa navegação calma e tranqüila com ausência de procelas. Não se precisou mais do ponto fixo no espaço para base de medição da velocidade da Terra. Enquanto os corpos celestiais viajavam em sua rota interminável, Newton estava conformado com o éter ao seu alcance.

Durante 200 anos predominou entre os cientístas, a existência do éter imóvel, absoluto e inalterável. Neste ponto é que voltamos a falar sobre a corrida patrocinada por Michelson e Morley. Mochelson, considerado o maior sacerdote da luz, o primeiro americano a receber o prêmio Nobel, aperfeiçoou um instrumento de sua invenção chamado de "interferômetro" capaz de medir os ângulos de um minuto dentro de um milionésimo de polegadas. Com isso iria medir a velocidade do raio e com isso a velocidade da Terra no éter tangível. Inventou também um dispositivo com jgos de espelhos para melhor acompanhar a corrida que tinha por base o percurso de um raio na direção Oeste-Leste porque neste sentido o percurso seria mais difícil para o raio em razão de encontrar maior obstáculo, em face do movimento da Terra. O Outro raio percorreria no sentido Norte-Sul, porque a Terra não se move neste sentido. Para os promotores da corrida o raio que percorresse Norte-Sul iria chegar primeiro. Qual não foi a surpresa de ambos quando os raios chegaram ao mesmo tempo. Empataram. Os cientístas do mundo inteiro ficaram estarrecidos. Eram dois séculos de crença no éter inalterado.

Durante 20 anos os cientístas resolveram tudo o que havia de estudo para se obter uma resposta e nada...

Parte 02

Nesta época Einstein tinha apenas 8 anos. A ciência teve que esperar muito. Até que Albert Einstein alcançou maior idade, principalmente no setor científico. Primeiro desvendou um mistério que há 80 anos vinha perturbando os físicos. É que viram minúsculas partículas suspensas num líquido em grande agitação. As migalhas de matéria movimentavam-se em grande velocidade indo e vindo por modo tão misterioso que ninguém descobriu o por quê. Einstein decifrou o enigma dizendo: "A atividade molecular aumenta com o calor e o movimento interno das partículas desvia-se ao bombardeio a que são submetidas pelas moléculas, aparentemente quentes do líquido." Ergueu dessa forma a teoria atômica das matérias.


A preocupação de Einstein depois de casado (1903) com idade de 24 anos era: luz, movimento e éter. O que lhe esquentava a cabeça era a decepção sofrida por Michelson-Morley, o empate da corrida da luz quando tinha 8 anos e a questão do éter que roubou muito tempo de estudo por séculos de crença no éter. Nesta época Einstein dispunha de pouco tempo para estudos pois trabalhava para sustento da sua família que crescia. Einstein costumava negar qua a natureza planejava uma conspiração a quem atrevera penetrar nos seus segredos. Não havia conspiração na existência de Milchelson-Morley. Para ele o que faltava era estudo e pesquisa. Aí vieram, com Einstein os estudos e as pesquisas. Em 1905, com 26 anos, publicou a teoria da relatividade restrita que antes chamou de eletromagnética dos corpos móveis que na opinião de algumas autoridades é "a mais sintética realização do engenho humano".

Caiu por terra as enganosas experiências ensinadas "que todos os movimentos da terra são absolutos". "Que as dimensões de corpos rígidos são sempre as mesmas". "Que os intervalos de tempo onde quer que sejam, são idênticos e que espaço e tempo são conceitos absolutos completamente independentes um do outro".

Einstein foi impiedoso. Disse que tudo aquilo era ficção e precisava ser substituída por idéias novas radicalmente diversas: "a estabilidade da Terra nada mais é do que uma ilusão. Nada há em absoluto repouso. Nem na Terra nem em qualquer parte do universo". Nos infinitamente pequenos, nos infinitamente grandes com as galáxias, tudo é movimento. " Em virtude dessa atividade incontável da natureza, não há padrão fixo para velocidade, comprimento, dimensão, massa e tempo. Só a luz em toda criação goza da regalia da constância, quanto da maior velocidade possível do universo". Muitos filósofos chamam-na: irradiação da Glória Divina. Em 1915 Eisntein publicou sua teoria da relatividade restrita de 1905, incluindo toda espécie de movimento, rotação e aceleração e mostrava a natureza em quadros novos.

Parte 03

Na Inglaterra de Newton, havia muita euforia com as notáveis teorias einstenianas e os ingleses reclamavam de seus cientistas que estavam glorificando um alemão.

Tamanha era a modificação do conceito de Newton que os astrônomos queriam pôr à prova as teorias de Einstein; não só para terem a certeza do que pregava, como para justificar seu relacionamento com um inimigo. Estava próxima a data de 29 de maio de 1919 quando haveria um eclipse total do sol, próprio para experiências científicas.

Se a teoria de Eisntein fosse exata, a luz estelar passando próxima ao sol deveria sofrer uma curva ou flexão gravitacional pela modificação geométrica da curvatura do espaço. Einstein chegou a calcular esse desvio em um segundo e setecentos e quarenta e cinco milésimos de segundos.

Em plena guerra os ingleses organizaram duas expedições científicas. Uma se destinava a uma ilha portuguesa no golfo de Guiné, a cem milhas do Equador e a outra desembarcou aqui no Brasil, ina a Sobral, pois o eclipse seria visível nas proximidades do Equador. Iriam pôr à prova um explicação nova das leis da natureza a qual, se exata, iria altera profundamente o conceito humano acerca da constituição do universo.

O plano era o seguinte: fotografar o céu no local exato onde mais tarde iria estar o sol eclipsado. Faria outra fotografia para comparar a posição da estrelas antes e depos do eclipse. Na hora prevista as estrelas foram fotografadas em seu pleno eclipse solar.

Depois de reveladas e feita a devida comparação, as estrelas estavam visivelmente deslocadas. Definitivamente estava provada a teoria einsteniana da relatividade. Os cientistas ingleses voltaram radiantes para seus intercâmbios científicos com um inimigo; poruqe outra comitiva acabava de chegar na França com a minuta do tratado de Versalhes assinado. A paz estava consolidade não só em terra como no espaço.

Colossal era o feito de Newton que durante dois séculos os cientístas supuseram que ele poderia ter comentadores mas não sucessores. Endeusaram-no como o maior gênio de todos os tempos e que jamais seria abalado. O Intrínseco sistema newtoniano atuava direta e ignorantemente através de uma camada de éter. Os antecessores de Newton deram contribuições notáveis mas pra tomar caminhos diferentes daqueles em que enveredaram. Copérnico pôs por terra o sistema dos epiciclos de Ptolomeu que afirmava que os planetas giram em torno da Terra. Kepler descobrira que os planetas giram em torno da Terra. Kepler descobrira que os planetas se moviam em órbitas elípticas relativamente ao sol. Imaginou que um espírito exercia influência motora proveniente o sol com poder de atração. Newton destruiu para sempre todas as lendas e fábulas que as mistificações da mente humana ofereceram para explicar os movimentos cósmicos.

O grande Newton contudo não pôde dar explicações satisfatórias da causa da gravitação. Com o advento do século XX surgiu Einstein, o sucessor de Newton, que com suas teorias da relatividade restrita e generalizada transformou de modo radical o conceito de espaço do geômetra inglês pondo fora de discussão a idéia de um éter tangível.

Fundo de Capa

Geraldo Alves Martins, nascido em Itabuna (09.07.1920).
Reside em Feira de Santana des 1966.
Foi lavrador, tropeiro, feirante.
Publicou o livro de poemas Mormaço D´Álma.
Atualmente é topógrafo

Fontes de Pesquisa

Descrição da experiência que prova a lei da relatividade de Einstein:
http://www.instituto-camoes.pt/cvc/ciencia/e73.html

Bibliografia de Einstein:
http://www.clubedeastronomia.com.br/albert.php

Bibliografia de Isaac Newton:
http://www.clubedeastronomia.com.br/isaac.php

Teoria da Relatividade:
http://www.unificado.com.br/calendario/09/relatividade.htm

A Teoria da Relatividade e a Bíblia
http://www.biblia-ciencia.com/art/teoria-relatividade-einstein.htm

7 de ago. de 2008

Os Três Nadas

Os Três Nadas
(Inspirado nas duas sombras de Olegário Mariano)

No ponto cuminante de espaço sideral
Quando as energias se dissiparam
Três nadas comovidos se encontraram

O primeiro falou: Eu queria ter nascido
Pra viver, chorar e sorrir
Entretanto dentro de um preservativo
Desgraçadamente me perdi

O segundo disse: De um encontro sem parseira
Sem amor, sem carinho e sem paixão
Por isso fui arremessado sobre o chão

O terceiro lamentou: E eu que já estava dentro
De um ventre quente e macio
Quando ela por vaidade ou requinte
Tomou a pírola do dia seguinte

Quando na Via Láctea as estrelas cintilarem
Os três nadas em desespero se abraçaram
E no Buraco Negro do Universo
Trêmulos rolaram

Geraldo Alves Martins
Feira de Santana-Ba, março de 2005

As Duas Sombras

As Duas Sombras
(A poesia que inspirou Os Três Nadas - Geraldo Alves)

Na encruzilhada silenciosa do Destino,
Quando às estrelas se multiplicaram
Duas sombras errantes se encontraram.

A primeira falou: - Nasci de um beijo
De luz, sou força, vida, alma, esplendor.
Trago em mim toda a glória do Desejo,
Toda a ânsia do Universo... Eu sou o Amor

O mundo sinto exânime a meus pés...
Sou Delírio... Loucura... E tu, quem és?
- Eu nasci de uma lágrima, sou flama
Do teu incêndio que devora...

Vivo dos olhos tristes de quem ama
Para os olhos nevoentos de quem chora.
Dizem que ao mundo vim para ser boa

Para dar do meu sangue a quem me queira
Sou a saudade, a tua companheira
Que punge, que consola e que perdoa...

Na encruzilhada silenciosa do Destino.
As duas Sombras comovidas se abraçaram
E, de então, nunca mais se separaram.

Olegário Mariano

5 de dez. de 2007

Capa

Geraldo Alves Martins

RETALHOS (memórias)


Feira de Santana
Junho/2003


Publicação do autor

Impressão
Edson Machado

Ilustração da capa
Solange Targino


Todos os direitos desta obra estão reservados a
GERALDO ALVES MARTINS

Apresentação

Filho de lavrador, com instrução primária incompleta, fui foiceiro, machadeiro, tropeiro, vivo "cantando" um pouquinho aqui, outro pouquinho lá. Sou um autodidata que não tive tempo de autoditar-me. Digo essas coisas para quando eu der minhas cacetadas no idioma de Camões não seja censurado. Já disseram "Quem erra sem lei, sem lei será julgado".

Este relato de minha vida o faço de modo sucinto, porque tenho horror à prolixidade. Nesta migalha de poeira que vive a rodopiar pelo espaço, que muitos chamam-na de Mundo Terráqueo, não sei se vivo, sofro ou vegeto. Só uma coisa estou certo: É que, quando eu transpuser os umbrais da existência estarei me desligando do elenco de uma peça teatral fantástica onde não sei se fui mocinho ou um palhaço das perdidas ilusões como canta o seresteiro.

Sumário

(clique para ampliar a imagem)


As Cobras
Figuras Pitorescas
Coisas da Vida I
Coisas da Vida II
Cometa Halley
Ruína
No Telhado
Pinga no Meu que Eu Pingo no Teu
Você
A Música Ebânea
Salvador
Cleó
Os Partos
Piraúna
A Hermafrodita


As cobras

Quando eu era menino, aos 7 ou 8 anos, peguei uma pequena cobra de uns 20cm e levei para casa. Arranjei uma garrafa e comecei a introduzi-la pelo gargalo. A cobra tinha as dimensões mais ou menos igual à espessura da entrada do gargalo. Introduzi todo o seu corpo no espaço em que cabia apenas dita cuja. Quando se libertou, a cobra saiu com tanta velocidade que quase me atinge o rosto. Atirei garrafa e cobra pra um lado. Era casa de fazenda. O piso era de assoalho e fez uma zoada danada. Minha mãe ao pressentir coisa anormal, veio ver a estrepolia do filho. É escusado dizer que a brincadeira acabou em chinelada.

Não desisti de brincar com as cobras. Certa feita, peguei um jaracussu, furei os olhos e soltei. Perversidade de quem não pensa. De outra feita, imobilizei uma cobra venenosa de mais de um metro, sozinho no meio da mata. Prendi seu pescoço com um gancho e tirei o couro, que saiu pelo avesso.

Perigo mesmo foi quando eu tinha 18 anos. Tomava conta de uma pequena fazenda de cacau situada bem no alto da Serra Piabanha, mais conhecida como Serra do Jequitibá. Quando ouço Agpê cantar: Moro onde não mora ninguém, lembro-me desta fase de minha vida. Vivia sozinho, trabalhava sozinho e o que era pior, dormia sozinho.

Colhia cacau, quando um fruto caiu numa moita. De lá saiu, furiosa, uma cobra Surucucu Pico de Jaca. Vinha tão furiosa que mais de um metro do seu corpo estava suspensa do chão em posição de ataque. Eu, com muita disposição e pouco juízo, cortei um cacete de um metro e meio e parti pra cima da cobra e dei-lhe uma cacetada, mais outra e mais outra, matando aquela serpente, que no dizer dos entendidos, tinha arriscado a vida, pois naquela posição ela é rápida e ataca a garganta do indivíduo.

Anos mais tarde me casei com uma jovem de 19 anos, bonita, meiga e inocente oriunda do meio rural com aquela simplicidade característica de moça do interior. Eu já experiente com meus 33 anos acreditava que tinha a missão de educá-la.

Quando chegava do trabalho ela vinha alegre feliz me receber me abraçando com meiguice e carinho revisando meus bolsos como à espera de encontrar um presentinho ou uma surpresa qualquer. Eu me deliciava com aquele charme e carinho ao retornar depois de uma jornada de trabalho.

Um dia encontrei um amigo cortador de pedra que me deu um presente inusitado: uma cobra coral dentro de uma garrafinha branca. Uma coisa linda! Botei no bolso e fui para casa. Quando cheguei, encontrei a mulherzinha vindo alegre e feliz a “futucar” meus bolsos como de costume. Quando encontrou a cobra deu um grito e “atiçou” a garrafinha na parede. A arrolha se desprendeu e a cobra escapuliu pior do que uma serpente de maior porte, feroz e agressiva. Quanto mais a mulher gritava mais assanhada a cobra ficava. Foi um sufoco. Pior disso tudo foi que ela suspendeu a lua de mel e fiquei a ver navios.

Hoje trago pra casa passarinhos ou outro bichinho inocente. Cobra mesmo, nunca mais!

Obs: Gostaria de assistir ao filme: “No vale das serpentes”.

Figuras Pitorescas


No final da década de 40 existiam em Salvador, figuras pitorescas que enriqueciam o folclore baiano. Entre elas estava a mulher de roxo que assim se vestia e não sei porquê razão. Seus trajes eram como se fosse um hábito de freira e vivia sentada nas escadarias dos prédios da Rua Chile. Calma, sem ofender a ninguém parecia uma monja só olhava, só pensava e nada mais.

Outra figura inesquecível era Cuíca de Santo Amaro. Poeta de Cordel. Quando acontecia algo de extraordinário, ele versava os acontecimentos com ironia e onde tinha aglomeração de gente, ele gritava mercalizando seu livrinho e assim ganhava vida. Como o caso da mulher de Brotas, que lhe deu boa renda. O caso foi o seguinte: Uma mulher que morava em Brotas, com ciúme do marido, decepou a matutagem do pela cepa. Isso deu origem a muitas “fofocas” nas ruas de Salvador. Com essa estória, Cuíca de Santo Amaro “lavou a jega” ganhando muito dinheiro.

A respeito, vale salientar um fato curioso: Nessa época fui fazer um trabalho topográfico no loteamento Nossa Senhora de Fátima, em Camaçari, hoje um próspero bairro naquela cidade. Estando hospedado na pensão Bela Vista, tranquei-me no quarto para fazer a correção dos meus trabalhos, quando começaram a botar em dia “a fofoca da época”, e o caso da Mulher de Brotas, era o mais comentado. Quando estavam discutindo o objeto cortante daquela façanha, eu precisando de qualquer coisa para fazer a ponta do lápis com o qual trabalhava, abro a porta do quarto e peço uma gilete. Para as mulheres foi um grande susto pois não sabiam que eu estava ali. Foi um risada geral. Eu me mantive sério e insisti que queria alguma coisa para fazer a ponta do lápis. Dava a impressão de que eu queria me decepar.

Outra figura bastante curiosa em Salvador era o “Jacaré”, um orador popular que não perdia um acontecimento. Ele ia para a praça pública para fazer discursos sempre inflamáveis. Era alto, moreno claro, bem afeiçoado, compleição atlética não robusta, trajava-se bem. Era quase um galã. Quando queria fazer seus discursos, mas vou me referir a dois deles: Certa feita cheguei ao Comércio, como é conhecida a Cidade Baixa de Salvador, principalmente, mediações do Elevador Lacerda e encontro Jacaré em cima de um tamborete discursando para a pequena multidão. Ele falava de Antônio Maria, radialista natural de Pernambuco que se candidatara a vereador na Bahia. O discurso de Jacaré era nesses termos: “Um pernambucano vagabundo vem de lá de sua terra querendo ser vereador na Bahia. Baiano descarado é quem vota num candidato deste”, e assim por diante. Dias depois, eu soube que pegaram jacaré e deram-lhe uma surra danada. Provavelmente algum correligionário mais exaltado do pernambucano. Quanto a Antônio Maria, não se elegeu e foi embora pra o Rio ou São Paulo continuando sua brilhante carreira, principalmente nos meios radiofônicos.

A segunda vez foi na posse do sucessor de Otávio Mangabeira, quando a Praça Municipal estava repleta de gente. De repente vejo Jacaré no meio da multidão com uma cadeira na mão que tomou na Pastelaria Triunfo e se alojou no meio da massa e começou a gritar: “Governador, venha se despedir do seu povo!”, parava um pouco e repetia sucessivas vezes, até que Mangabeira surge na saca do Aclamação e se despede da multidão que lhe aclamava e aplaudia. Do seu discurso de despedida gravei a seguinte frase: “As obras que fiz pela Bahia não foram por demagogia porque não sou candidato a nada”. Assim se despedia dos baianos aquele que foi um dos maiores governadores da Bahia. Fazendo lembrar do filme “Homens de Honra”.

Imagem: http://setarosblog.blogspot.com/2007/06/o-guarany-de-cludio-marques.html; http://www.novomilenio.inf.br/santos/h0312.htm

Coisas da Vida I


Eu, filho de lavrador, ao 17 anos, tropeiro e feirante e aos 20, barbeiro. Nessa época foi assistir uma luta de boxe no bairro em que morava. A primeira luta era de um caboclo forte bem malhado e contra um negro alto e magro, este apanhou tanto que foi nocauteado logo. O vencedor ficou no tablado pulando e desafiando: “Tem outro?” Não agüentei o desaforo e me ofereci para a luta. Calcei as luvas e parti pra cima do desafiante sendo que aquela era a primeira vez que assistia uma luta de boxe, sem treino, sem nada. Apanhei tanto que antes de ser nocauteado a turma do deixa disso entrou no ringue e me livrou de uma grande surra.

Imagem: http://www.boxergs.com.br/ditao3.jpg

Coisas da Vida II

Na vida a gente sempre se encontra em situações embaraçosas, como foi o meu caso quando estava hospedado em Rio Novo querendo fazer a praça de uma localidade vizinha há uns trinta minutos de trem. Chegando lá me hospedei numa pensão. Fui apresentado por um amigo e a dona do pequeno hotel por confiança me botou no quarto do coletor que estava viajando. Tinha uma pequena estante cheia de livros. Quis aproveitar para ler alguns. Como a lâmpada de 500 velas estava muito forte, tirei minha única camisa enrolando-a na lâmpada para diminuir a luminosidade, e foi ler tranquilamente. Quando percebi, a camisa estava pegando fogo, olhei e via as labaredas de elevando. Apaguei o fogo e tremi pelo risco de ter provocado um grande incêndio. Sempre tive sorte, a camisa queimou apenas a parte das costas, a frente estava intacta, dava para tapear e botar a gravata. O pior é que nada ganhei nessa praça e ao pagar a hospedagem gastei todo o dinheiro que tinha. Parti para a estação e tomei o trem de volta sem um tostão para pagar a passagem. Quando estava pensando no que iria fazer, chega a dona da pensão na janela do vagão e me pede para comprar um pão no Rio Novo e mandar pelo chefe do trem. Fiquei capitalizado, paguei a passagem. Em Rio Novo comprei o pão da mulher e agradeci a Deus que sempre me socorreu nas horas difíceis.


Obs: Igual ao filme “Uma Jogada do Destino”.

Imagem: http://www.globalframe.com.br

Cometa Halley

1910 – 1986, seu aparecimento no século XIX

Se vens singrando o espaço sideral
Com sua cauda luzente se arrastando
Do ponto do nadir ao Zenital
Que faça seu roteiro e vá passando.

Se tens fulgor de estrela e brilho astral
Com seu floco de luz se esvoaçando
Decline a trajetória orbital
E fique aqui na Terra circulando

Mas, se és tu que provoca terremotos
Os cismos, tempestades e maremotos
E provoca na Terra vendavais

Derrape na tangente do infinito
Mergulhe na poeira do atrito
Desapareça e não retorne mais.


Imagem: http://www.constelacoes.hpg.ig.com.br/numero_e_visibilidade_cometas.htm

Ruína

Esta casa que vês abandonada
Triste ruína a beira do caminho
Foi no passado alegre e habitada
Porque lhe decorava com carinho.

Hoje se vês sem teto e esburacada
Por toda parte o lixo em desalinho
Sem janela e a porta escancarada
Ao canto um jarro que ficou sozinho.

Assim como esta casa é nossa vida
Depois de muita luta muita lida
Paramos ao canto a envelhecer.

É como o sol que nasce à madrugada
Muito esplendor de luz pela alvorada
Pouco fulgor de brilho ao anoitecer.

Sobre o blog

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